da rua que passo e paro [reparo
reparo o partir dos vidros, e o estalar do dia
reparo o canteiro esquecido e o carro parado
separo os lixos engomados
encrostados no chão
reparo e retiro o essencial
domesticado pelo tempo
ali estático espero [e noto que
despi o rosto de ruídos e de coisas mais
no tempero da madeira e do carvão
emoldurado o reparo, da rua que passo e paro
um risco de conversa, aproveitei para ouvir e aprender
num ritmo que jaz aperaltado
faz-se
fez-se
o reparo de uma silhueta petrificada
e amaciada de recordações e afectos
o reflexo do dia [no espelho
de água
la fora está frio [o inverno está
por agora
os papeis e a mesa organizada repousam
lápis arrumados e canetas afiadas [prontas
como se tudo esperasse pelo toque de entrada
janela da escola [mais parecia
pelo som das crianças
o trabalho que aguente
espere que eu também esperei
abri a janela num reflexo [no espelho
de água
voltei atrás e fechei a porta
fechei-a por dentro
para a abrir para fora [da janela aberta
da varanda vi o reflexo do dia
estava lá fora
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